Como computadores enlouquecem (AI)
[Publicação de brainstorm, não texto argumentativo]
Ontem entendi por acidente porque o sujeito “enlouquece” numa solitária (enquanto pensava sobre inteligência artificial).
Partindo de onde achei a coisa… O que aconteceria com dois AI-bots conversando entre si se o pensamento deles tivesse funcionamento semelhante ao nosso e eles não tivessem mais acesso a dados do mundo real?
Antes, deixe-me expor um ponto. O pensamento é criativo… Se você puser um macaco com fome num ambiente com uma banana suspensa e uma cadeira disposta perto, ele fatalmente vai usar a cadeira para alcançar a banana. Apesar de ser uma ideia muito simples, o poder computacional necessário para se fazer a mesma coisa seria enorme… [A não ser obviamente que fosse um programa específico para alcançar objetos em lugares altos usando-se elementos disponíveis no chão, né? Digo um meta-algoritmo geral]. Não há qualquer ligação entre o significado de banana e o de cadeira que pudesse ser aproveitada num raciocínio analítico (fora alguma galhofa que você quiser pensar) para que o resultado fosse calculado de modo simples. É um flagrante do pensamento que extrapola a experiência. [Tenho suspeitas de como isso se dá, mas seria material de outro post. Deixemos amadurecer mais...].
A questão é: se o pensamento tem um algoritmo criativo [vai além da mera compreensão dos objetos ao redor] podendo inclusive simular ambientes físicos e verificar a viabilidade de se executar uma ação num ambiente imaginário, como impedir que o pensamento continue criando independentemente da realidade levando o sujeito/bot à explosão arbitrária de raciocínios triviais? Noutras palavras, como calcular a economia do raciocínio?
Minha conclusão temporária é que a mente sempre raciocina e cria – com ou sem dados da realidade. Se alguém é privado da rica experiência da realidade, com o tempo, ela, na falta de dados exteriores, procura otimizar os dados que já tem. Mas isso tem um risco, pois se o sujeito tem uma visão equivocada sobre o mundo real essa idéia vai se tornar mais forte em cativeiro. Ou mesmo uma ideia verdadeira, mas de importância menor pode ganhar peso desproporcional quando o sujeito se expõe somente a ela.
Numa solitária, não há bastante dados sobre o mundo. Assim, a mente continua funcionando e criando sem eles levando o sujeito à loucura (temporária ou não) já que a mente começa a criar a partir apenas do vazio e do que já tem. Ocorre, então, um círculo vicioso do pensamento que degenera a mente quanto às suas funções normais.
Ah, sobre os AI-bots, creio que aconteceria o mesmo: enlouqueceriam – se eles não houverem sido melhor desenhados do que fomos nós pelo acaso.
